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Autor do borgiano The Hypothetical Library, um blog de capas imaginárias de livros, Charlie Orr bolou, ano passado, três capas animadas para e-books — coisa que as editoras ainda não adotaram. A base para animações foram edições que de fato existem. Vale dar uma espiada.
Publicado em 03/02/2011
Achou que a onda 3D ia ficar nos cinemas, TVs ultramodernas e videogames de última geração? Pois se enganou. Nascida e praticamente enterrada nos anos 50, quando era usada principalmente para mangás japoneses e filmes B americanos, essa tecnologia ressurgiu dos mortos cheia de alta definição, mas com um inconfundÃvel jeitão retrô. Melhor não podia ser para a Vintage Books, que vai lançar em maio essa coleção de livros de ficção cientÃfica com as capas em 3D. Junto vem aquele par de óculos ridÃculos, chamados anaglyph. Se tiver um à mão, você já pode conferir como fica o resultado na tela do computador mesmo (clique nas imagens para ampliá-las).
P.S: Gracias ao ótimo blog Caustic Cover Critic, onde achei a informação, num post cujo tÃtulo (não pude resistir…) tive de roubar também.
Publicado em 27/01/2011
É curioso que o alcoolismo de John Cheever só tenha sido descoberto de verdade depois de sua morte, em 1982. Claro que autores podem perfeitamente escrever sobre assuntos que não pertencem ao seu universo pessoal, mas a frequência com que a bebida (e tão bem contextualizada…) aparece nos seus contos espantaria seus patrÃcios com sabido conhecimento de causa — bebuns-escritores como como Ernest Hemingway, Charles Bukowski, Teneessee Williams e F. Scott Fitzgerald.
Um levantamento rápido — coisa que hoje é possÃvel num e-book — no The Stories of John Cheever (Vintage, 700 págs., US$ 11.87) mostra a frequência com que o escritor recorria à bebida para dar uma cor (alegre ou trágica) ao mundo suburbano nova-iorquino, onde, sim, o álcool funcionava como ótimo lubrificante para uns aturarem os outros naqueles anos de pós-guerra.
Os termos preferidos estão nos gráficos acima. Gim (57) e uÃsque (67), por exemplo, aparecem individualmente mais que sexo/sexual (35) e comida (47), por exemplo — coisa que é bem reveladora. As bebidas só perdem mesmo mesmo para morte (88). Mas quem não perde?
No Brasil, vale conferir parte dessas histórias etÃlicas em 28 Contos de John Cheever, Companhia das Letras, 360 págs., R$ 41.
Publicado em 26/01/2011
Publiquei a primeira rodada aqui, agora segue outra. Três são da linha faça-você-mesmo. O quarto, A Vagina Assombrada, é uma ficção. Ainda bem.
Publicado 08/12/2010
Semana que vem chega à s livrarias brasileiras o novo livro de Oliver Sacks, O Olhar da Mente (Companhia das Letras, 230 págs., R$ 44). Entre as histórias contadas pelo neurologista mais pop do mundo está a do escritor canadense Howard Engel, que, numa bela manhã de 2001, descobriu, olhando para a primeira página do jornal, que não conseguia mais ler. “Eu podia ver que as letras que o compunham eram as 26 letras do alfabeto inglês, com as quais eu estava habituado, [mas] quando eu as focalizava, ora pareciam cirÃlico, ora coreano.”
A causa da desgraça, segundo descobriu logo depois, era um derrame no lobo occipital esquerdo, em que se localiza o que os médicos chamam de “área de formação o visual das palavras ou, mais informalmente, de caixa de letras do cérebro”. A grande surpresa foi que ele sabia ainda escrever, mesmo sem entender patavina do que colocava no papel: um caso de alexia (incapacidade de ler) sem agrafia (incapacidade de escrever), muito bem contada na animação acima, feita por Lev Yilmaz para a NPR.
Publicado em 18/11/2010
O mais notável do texto de Sacks é a simplicidade — e extrema clareza — que ele usa para explicar como funciona o mecanismo da leitura no nosso cérebro, mostrando que a capacidade humana inata de ler é um desdobramento da habilidade, adquirida com a evolução, de decodificar imagens. Tem mais: uma lesão como a Engel, ou uma doença degenerativa na mesma região, pode provocar o oposto da alexia, a alucinação lexical ou letras fantasmas — é quando o paciente vê “texto, palavras isoladas, letras individuais, números ou notas musicais”.
Creepy.
Semana passada, postei (aqui) o mapa feito por um redditer que associava cada Estado americano a um filme. O cara levou pau coast to coast, mas mesmo assim resolvi copiar a ideia, aplicando-a ao Brasil (clique na imagem para ampliar). E, se era para copiar, fiz serviço completo: ideia, lay-out, fonte, cores. A única coisa irreproduzÃvel foi, naturalmente, a abundância de filmes para cada região. Aqui, tive de tomar algumas liberdades para contemplar todos os Estados. Abusei, por exemplo, dos documentários — uns bons mesmo (Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho), uns interessantes (Mensageiras da Luz, de Evaldo Mocarzel), outros altamente suspeitos. Aceito sugestões.
E peço as cidadãos dos Estados que não se ofendam com esta ou aquela escolha — num determinado momento, optei por fazer uma seleção que resultasse num bom time de diretores. No geral, até que deu. Além dos dois citados acima, estão presentes no mapa Hector Babenco, Fernando Meirelles, Jorge Furtado, Rogério Sganzerla, Felipe Hirsch, LuÃs Sérgio Person, Beto Brant, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos etc…
Até Jece Valadão tem.
Publicado em 10/11/2010
O resultado seria esse se alguém resolvesse adaptar o filme Sangue Negro para videogame — mais especificamente, para Super Nintendo, um console hoje bastante ultrapassado. A brincadeira foi feita pelos ingleses Owen Williams e Adam Wright, da Tomfoolery Pictures. Só faltou uma passagem com Daniel Day-Lewis berrando “I drink your milkshake!”
Publicado em 09/11/2010
Um usuário da rede Reddit, subtonix, fez um mapa dos EUA associando cada Estado a um filme cuja história se passa nele (clique na imagem para ampliar). A ideia é boa, muita gente gostou, mas é claro que o sujeito apanhou — de gente da Pensilvânia, por exemplo, que não gostou de ser representada por Feitiço do Tempo. Já o povo de Ohio reclamou com a escolha de Gummo, e os bons cidadãos de Delaware compreensivelmente propuseram trocar Quanto Mais Idiota, Melhor por Clube da Luta. Já um cara desafiou o cartógrafo cinéfilo a defender num bar de Wyoming que Brokeback Mountain é o filme que melhor representa o Estado.
Publicado em 04/11/2010
Num dos momentos mais divertidos, bem escritos e cruciais de Solar, romnace de Ian McEwan, o protagonista canalhão, Michael Beard, trava com um estranho uma batalha pelo conteúdo de um saco de batatas fritas, que ele, segundo pensava, tinha acabado de comprar. Os oponentes se revezam, em silêncio ameaçador, em pegar as batatas do saco. Estão os dois num trem, o inimigo é um tanto intimidador, mas Beard, com seus 50 e poucos anos, está num daqueles momentos em que as pessoas preferem um olho roxo à dignidade vilipendiada.
Não contarei o desfecho da história — apenas menciono que, pouco depois, Beard será informado que ela pertence a um rol de lendas urbanas sobre o “o ladrão inocente”, tendo já aparecido, com variações, em jornais, romances e filmes. Um deles é o curta-metragem The Lunch Date (1989), de Adam Davidson, que recebeu, em sua categoria, a Palma de Ouro em Cannes em 1990 e, no ano seguinte, o Oscar. Para quem não viu, vale gastar os 12 minutos do vÃdeo para se divertir e, de quebra, entender um pouco mais da questão moral presente em Solar.
Publicado em 25/10/2010
Por conta, provavelmente, da minha preferência pessoal, sempre achei que o livro mais popular de Italo Calvino era As Cidades InvisÃveis. Por isso, me espantei um tanto com a quantidade de vÃdeos baseados em As Cosmicômicas no Youtube. Nem sei se é uma questão de preferência, popularidade ou gosto — talvez as histórias de Qfwfq (apesar do nome) sejam mais inspiradoras visualmente que as relatadas por Marco Polo a Kublai Khan. Abaixo, seguem nove desses vÃdeos, muitos deles peças de divulgação da Amazon.
Publicado em 19/10/2010









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